 |
|
 |
Untitled Document
 |
 |
|
» Convention Bureaux
no mundo
Final do século XIX. Foi nessa época que
começaram a germinar as primeiras ações sobre a fundação
de Conventions no mundo. Detroit, cidade americana, era conhecida como
uma das mais ativas produtoras de fogões e móveis de cozinha
dos Estados Unidos. Havia obtido um grande aumento na produtividade e
racionalização dos custos de produção, introduzindo
o conceito de economia de escala. Tal produção garantia
um fluxo enorme de visitantes do mundo todo. Mas isso era apenas uma prévia
do que estava para acontecer em termos de revolução conceitual
na forma como esse fluxo era entendido até então.
Detroit sempre foi uma cidade com grande apelo turístico,
além de uma economia poderosa. Já no início de 1896,
muitos homens de negócios das mais variadas cidades chegavam à
cidade para participar de convenções, congressos e reuniões
de trabalho. Os hotéis, restaurantes, táxis, bares e boates
viviam recheados de gente animada com muita propensão para gastar.
A cidade já começava a evidenciar certa vocação
para o turismo de negócios naquele final de século.
O que motivou mesmo a fundação do primeiro
Convention Bureaux no mundo foi o artigo do jornalista Milton Carmichael.
No início de fevereiro de 1896 (mais precisamente no dia seis),
Milton, um jornalista recém-chegado de Indiana, foi trabalhar no
The Detroit Jornal. Em tal jornal escreveu um texto que chamou a atenção
pela apurada visão estratégica que demonstra. Após
uma análise mais cuidadosa, revela uma modernidade difícil
de entender em pleno século XIX.
» O artigo de Carmichael
“Ao longo dos últimos anos, Detroit construiu
fama de cidade de convenções. Visitantes vêm de milhares
de quilômetros de distância para participar de eventos empresariais”.
“Fabricantes de todo o país usam nossa
hotelaria para promover reuniões onde discutem os temas de seus
interesses, mas tudo isso sem que haja um esforço por parte da
comunidade, nem uma ação que vise dar-lhes algum apoio durante
sua estadia entre nós. Eles simplesmente vêm para Detroit
porque querem ou precisam. Será que Detroit, através de
um esforço conjunto, não conseguiria garantir a realização
de 200 ou 300 convenções nacionais ao longo do próximo
ano?
Isso significaria a vinda de milhares e milhares de
pessoas de todas as cidades americanas, e elas gastariam milhares de dólares
no comércio local, beneficiando a população da cidade.
Para isso, é preciso que nossos empresários parem de olhar
para o próprio umbigo e enxerguem as possibilidades abertas por
uma ação conjunta de promoção da cidade e
não apenas da visão do próprio negócio”.
(Milton Carmichael)
» A ideia
A partir disso, entende-se que o primeiro Convention
do mundo foi sim motivado pelo artigo que questionava a passividade dos
empresários locais com relação aos benefícios
da vinda de visitantes para a cidade. Tal texto, se for interpretado adequadamente,
demonstra que no pensamento de Carmichael continha o embrião do
associativismo no setor de turismo.
Carmichael queria dizer de fato que os empresários
deveriam parar de promover a concorrência predatória entre
seus empreendimentos, olhando cada um para seus próprios interesses,
e privilegiar uma visão global e estratégica do mercado.
Assim, atuaria de forma coletiva em favor do desenvolvimento econômico
da cidade como um todo, atitude a qual, na visão do jornalista,
acabaria por beneficiar cada um dos participantes.
No fundo, Carmichael promovia ali as vantagens de se
colocar o bem comum acima do bem individual, ou seja, incentivava o associativismo
em favor da comunidade. Carmichael não era ingênuo. A mensagem
subliminar que ele passou era de que é muito melhor ter um negócio,
qualquer que seja e do tamanho que for, numa economia forte, vigorosa,
em crescimento, do que lutar para manter uma empresa em funcionamento
numa economia estagnada ou em declínio.
Desse modo, quem ajudar a manter a economia aquecida, estará
ajudando o seu próprio negócio. Ao sustentarmos uma visão
estratégica de qual é o nosso negócio, definimos
claramente qual a nossa missão, evitando-se assim a concorrência,
que é necessária e saudável, e o aparecimento de
substitutos, esses, sim, capazes de arruinar nossas empresas. Essa é
a gênese de todos os Convention Bureaux: agir no fomento da economia
local de forma a garantir o incremento dos negócios de todos os
associados mantenedores e perpetuar suas empresas. Como dizia o mestre
Theodore Levitt, “o primeiro negócio de qualquer empresa
é permanecer no negócio”.
|
 |
| |
 |
|
|
|
|