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Segunda-feira, 06 de setembro de 2010
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» Convention Bureaux no mundo

   Final do século XIX. Foi nessa época que começaram a germinar as primeiras ações sobre a fundação de Conventions no mundo. Detroit, cidade americana, era conhecida como uma das mais ativas produtoras de fogões e móveis de cozinha dos Estados Unidos. Havia obtido um grande aumento na produtividade e racionalização dos custos de produção, introduzindo o conceito de economia de escala. Tal produção garantia um fluxo enorme de visitantes do mundo todo. Mas isso era apenas uma prévia do que estava para acontecer em termos de revolução conceitual na forma como esse fluxo era entendido até então.

   Detroit sempre foi uma cidade com grande apelo turístico, além de uma economia poderosa. Já no início de 1896, muitos homens de negócios das mais variadas cidades chegavam à cidade para participar de convenções, congressos e reuniões de trabalho. Os hotéis, restaurantes, táxis, bares e boates viviam recheados de gente animada com muita propensão para gastar. A cidade já começava a evidenciar certa vocação para o turismo de negócios naquele final de século.

   O que motivou mesmo a fundação do primeiro Convention Bureaux no mundo foi o artigo do jornalista Milton Carmichael. No início de fevereiro de 1896 (mais precisamente no dia seis), Milton, um jornalista recém-chegado de Indiana, foi trabalhar no The Detroit Jornal. Em tal jornal escreveu um texto que chamou a atenção pela apurada visão estratégica que demonstra. Após uma análise mais cuidadosa, revela uma modernidade difícil de entender em pleno século XIX.

» O artigo de Carmichael

   “Ao longo dos últimos anos, Detroit construiu fama de cidade de convenções. Visitantes vêm de milhares de quilômetros de distância para participar de eventos empresariais”.

   “Fabricantes de todo o país usam nossa hotelaria para promover reuniões onde discutem os temas de seus interesses, mas tudo isso sem que haja um esforço por parte da comunidade, nem uma ação que vise dar-lhes algum apoio durante sua estadia entre nós. Eles simplesmente vêm para Detroit porque querem ou precisam. Será que Detroit, através de um esforço conjunto, não conseguiria garantir a realização de 200 ou 300 convenções nacionais ao longo do próximo ano?

   Isso significaria a vinda de milhares e milhares de pessoas de todas as cidades americanas, e elas gastariam milhares de dólares no comércio local, beneficiando a população da cidade. Para isso, é preciso que nossos empresários parem de olhar para o próprio umbigo e enxerguem as possibilidades abertas por uma ação conjunta de promoção da cidade e não apenas da visão do próprio negócio”. (Milton Carmichael)

» A ideia

   A partir disso, entende-se que o primeiro Convention do mundo foi sim motivado pelo artigo que questionava a passividade dos empresários locais com relação aos benefícios da vinda de visitantes para a cidade. Tal texto, se for interpretado adequadamente, demonstra que no pensamento de Carmichael continha o embrião do associativismo no setor de turismo.

   Carmichael queria dizer de fato que os empresários deveriam parar de promover a concorrência predatória entre seus empreendimentos, olhando cada um para seus próprios interesses, e privilegiar uma visão global e estratégica do mercado. Assim, atuaria de forma coletiva em favor do desenvolvimento econômico da cidade como um todo, atitude a qual, na visão do jornalista, acabaria por beneficiar cada um dos participantes.

   No fundo, Carmichael promovia ali as vantagens de se colocar o bem comum acima do bem individual, ou seja, incentivava o associativismo em favor da comunidade. Carmichael não era ingênuo. A mensagem subliminar que ele passou era de que é muito melhor ter um negócio, qualquer que seja e do tamanho que for, numa economia forte, vigorosa, em crescimento, do que lutar para manter uma empresa em funcionamento numa economia estagnada ou em declínio.

   Desse modo, quem ajudar a manter a economia aquecida, estará ajudando o seu próprio negócio. Ao sustentarmos uma visão estratégica de qual é o nosso negócio, definimos claramente qual a nossa missão, evitando-se assim a concorrência, que é necessária e saudável, e o aparecimento de substitutos, esses, sim, capazes de arruinar nossas empresas. Essa é a gênese de todos os Convention Bureaux: agir no fomento da economia local de forma a garantir o incremento dos negócios de todos os associados mantenedores e perpetuar suas empresas. Como dizia o mestre Theodore Levitt, “o primeiro negócio de qualquer empresa é permanecer no negócio”.
 
 
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